|

Pai
Rico, pai pobre: o que os ricos ensinam a seus filhos sobre dinheiro.
Robert
T. Kiyosaki, Sharon L. Lechter; Tradução Maria José
Cyhlar Monteiro. - Rio de Janeiro: Elsevier, 2000. - 61ª reimpressão.
|
A escola
prepara as crianças para o mundo real? "Estude com afinco,
tire boas notas e você encontrará um bom emprego com um
salário alto", costumavam falar meus pais. O objetivo deles
na vida era oferecer instrução superior para mim e para
minha irmã mais velha, de modo que no futuro tivéssemos
maiores oportunidades de sucesso. Quando finalmente me formei em 1976
- com destaque, pois fui um dos primeiro lugares na turma no curso de
contabilidade da Florida State University -, meus pais finalmente atingiram
seu objetivo. De acordo com o "Plano Diretor", fui contratada
por um dos "Oito Grandes" escritórios de contabilidade
e imaginava à minha frente uma longa carreira e uma aposentadoria
enquanto ainda fosse jovem.
Meu marido, Michael, seguiu um percurso semelhante. Ambos viemos de
famílias trabalhadoras, de recursos modestos, mas com uma forte
ética em relação ao trabalho. Michael também
se formou com louvor, e ele o fez duas vezes: primeiro em engenharia
e depois em direito. Rapidamente foi contratado por um prestigioso escritório
de advocacia em Washington, D.C., especializado em patentes. Seu futuro
parecia brilhante, com uma trajetória profissional bem definida
e uma aposentadoria precoce garantida.
Embora nossas carreiras tenham sido bem-sucedidas, elas não foram
exatamente o que esperávamos. Ambos mudamos de emprego várias
vezes, pelas razões certas. Contudo, não há planos
de pensão garantidos: nossos fundos de aposentadoria só
aumentam em função de nossas contribuições
individuais.
(...)
Como mãe e contadora, preocupava-me com
a falta de instrução financeira nas escolas que nossos
filhos freqüentam. Muitos dos jovens de hoje têm cartão
de crédito antes de concluir o segundo grau e, todavia, nunca
tiveram aulas sobre dinheiro e a maneira de investi-lo, para não
falar da compreensão do impacto dos juros compostos sobre os
cartões de crédito. Simplesmente, são analfabetos
financeiros e, sem o conhecimento de como o dinheiro funciona, eles
não estão preparados para enfrentar o mundo que os espera,
um mundo que dá mais ênfase à despesa do que à
poupança.
(...)
No ano passado, meu marido ligou do escritório: "encontrei
alguém que pode ajudar você", disse ele. "Seu
nome é Robert Kiyosaki. Ele é empresário e investidor
e está aqui para patentear um produto educacional. Penso que
é o que você estava procurando".
(...)
Mike estava certo. Era esse o produto educacional que eu estava procurando.
Parecia um tabuleiro coloridíssimo de Banco Imobiliário,
contudo havia duas pistas: uma interna e outra externa. O objetivo do
jogo era sair da pista interna, que Robert chamada de "Corrida
dos Ratos", e alcançar a pista externa, ou "Pista de
Alta Velocidade". Como dizia Robert, a Pista de Alta Velocidade
simula o jogo dos ricos na vida real.
Então Robert descreveu para nós a "Corrida
dos Ratos":
"Se você observar a vida das pessoas
de instrução média, trabalhadoras, você verá
uma trajetória semelhante. A criança nasce e vai para
a escola. Os pais se orgulham porque o filho se destaca, tira notas
boas ou altas e consegue entrar na universidade. O filho se forma,
talvez faça uma pós-graduação, e então
faz exatamente o que estava determinado: procura um emprego ou segue
uma carreira segura e tranqüila. Encontra esse emprego, quem sabe
de médico ou de advogado, ou entra para as Forças Armadas
ou para o serviço público. Geralmente, o filho começa
a ganhar dinheiro, chega um monte de cartões de crédito
e começam as compras, se é que já não tinham
começado.
Com dinheiro para torrar, o filho vai aos mesmos lugares onde vão
os jovens, conhece alguém, namora e, às vezes, casa. A
vida é então maravilhosa porque atualmente marido e mulher
trabalham. Dois salários são uma benção.
Eles se sentem bem-sucedidos, seu futuro é brilhante, e eles
decidem comprar uma casa, um carro, uma televisão, tirar férias
e ter filhos. O desejo se concretiza. A necessidade de dinheiro é
imensa. O feliz casal concluiu que suas carreiras são da maior
importância e começa a trabalhar cada vez mais para conseguir
promoções e aumentos. A renda aumenta e vem outro filho...
e a necessidade de uma casa maior. Eles trabalham ainda mais arduamente,
tornam-se funcionários melhores. Voltam a estudar para obter
especialização e ganhar mais dinheiro. Talvez arrumem
mais um emprego. Suas rendas crescem, mas a alíquota do imposto
de renda, o imposto predial da casa maior, as contribuições
para a Seguridade Social e outros impostos também crescem.
(...)
O feliz casal, nascido há 35 anos, está agora preso na
armadilha da Corrida dos Ratos pelo resto de seus dias. Eles trabalham
para os donos da empresa (por seus salários), para o governo
(quando pagam impostos) e para o banco quando pagam cartões de
crédito e e hipoteca.
Então eles aconselham seus filhos a estudar
com afinco, obter boas notas e conseguir um emprego ou carreira seguros.
Eles não aprendem nada sobre dinheiro, a não ser com aqueles
que se aproveitam de sua ingenuidade e seguem trabalhando arduamente
a vida inteira. O processo se repete com a geração
seguinte de trabalhadores. Esta é a "Corrida dos Ratos".
(...)
Robert afirma que os ricos educam seus filhos
de forma diferente. Eles ensinam aos filhos em casa, em volta
da mesa de jantar. Essas idéias podem não ser aquelas
que você escolheria para discutir com seus filhos, mas obrigada
por olhar para elas. E eu o aconselho a continuar buscando. Em minha
opinião, como mãe e auditora independente, o conceito
de simplesmente ter boas notas e achar um emprego é uma idéia
velha. Precisamos de novas idéias e de uma educação
diferente. Talvez falar para seus filhos sobre lutar para serem bons
funcionários e criarem sua própria empresa de investimentos
não seja uma idéia tão má.
Hoje estamos enfrentando mudanças globais e tecnológicas
iguais ou até maiores que as ocorridas anteriormente. Ninguém
tem uma bola de cristal, mas uma fato é certo: à nossa
frente descortinam-se mudanças que estão além de
nossa realidade. Quem sabe o que o futuro nos trará? Mas aconteça
o que acontecer, temos duas escolhas fundamentais: a segurança
ou a inteligência preparando-nos, instruindo-nos e despertando
nosso gênio financeiro e o de nossas crianças.
|